- A Polícia Federal aponta Jaques Wagner como “beneficiário central” de vantagens econômicas indevidas atribuídas ao extinto Banco Master, na nova fase da Operação Compliance Zero.
- Entre os indícios, há um apartamento de R$ 2,5 milhões, voos em jatinho e um show internacional de R$ 63 mil, além de R$ 3,5 milhões destinados a uma empresa ligada à família do senador; mandados de busca foram cumpridos e US$ 49 mil foram apreendidos em Brasília.
- A PF relaciona Wagner ao empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Master, dizendo que a proximidade entre eles criaria ambiente propício para defender os interesses do banco; Lima também é alvo da operação.
- A investigação analisa a eventual edição da “Emenda Master”, de autoria do senador Ciro Nogueira, que poderia elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, beneficiando o Master.
- Também há apuração sobre repasse de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada à família de Wagner, com uso de veículos como a BN Financeira para suposta dissimulação de vantagens; uso de jatinhos e envio de dados de contatos de pilotos e corretores são investigados.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), é apontado pela Polícia Federal como beneficiário central de vantagens econômicas indevidas ligadas à nova fase da Operação Compliance Zero. A apuração envolve um apartamento comprado com recursos vinculados ao extinto Banco Master, voos em jatinho, ingressos para show internacional e repasses a uma empresa da família do senador.
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de Wagner em Brasília. Em sua casa, foram encontrados US$ 49 mil em espécie, aproximadamente R$ 253 mil, entre os itens apreendidos. A investigação aponta que o elo entre Wagner e o Master estaria no empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do banco.
Emenda Master e benefícios ao Master
A PF investiga se Wagner atuou em favor do Master por meio da chamada Emenda Master, proposta por um aliado do senador Ciro Nogueira. A alteração legal visava ampliar o teto de cobertura do FGC, beneficiando o banco de Vorcaro e Lima.
Imóvel de alto valor ligado a Wagner
Entre os elementos colhidos, há um imóvel de 2,5 milhões de reais que teria sido repassado a Wagner. Mensagens apontam discussões sobre a possível compra do apartamento, localizado em Salvador. A operativa envolveu também dados de corretor e da construtora responsável pelo empreendimento.
Voos, ingressos e uso de aeronaves
A investigação aponta que Lima pagou ingressos de um show internacional nos EUA, com valor próximo a 63 mil reais, para Wagner e familiares. Em mensagens, Wagner solicitou ampliação do número de entradas. Além disso, há registro de uso de aeronaves ligadas a Lima para deslocamentos do senador.
Repasse a empresa da família
A PF aponta transferência de 3,5 milhões de reais de uma empresa ligada à família de Wagner para outra financeira, que teria participação de familiares do senador. A investigação sugere que os recursos teriam finalidade de ocultar a origem do dinheiro entregue ao entorno do senador.
Origem da relação entre Wagner e Lima
Segundo a PF, Lima aproximou-se do PT da Bahia a partir de 2017, enquanto Wagner ainda era secretário de Desenvolvimento Econômico. A partir de 2017, houve cooperação em privatizações e, posteriormente, a relação evoluiu para atividades vinculadas ao Master.
Reações e posicionamentos
A defesa de Augusto Lima afirma que as diligências da PF são desnecessárias e que Lima está à disposição para esclarecer os fatos. A assessoria de Wagner ainda não apresentou posicionamento público. A apuração segue em andamento, com novas diligências previstas.
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