- A nova estratégia de política externa dos EUA propõe financiar diretamente governos de países pobres, ao invés de organizações não governamentais internacionais, para serviços de saúde.
- Em dezembro, o secretário de Estado assinou o primeiro acordo sob a nova estratégia: um pacto com o Quênia para combater doenças infecciosas, no valor de 1,6 bilhão de dólares em cinco anos.
- Em 2024, apenas uma parte do orçamento multibilionário da USAID foi direto para governos, enquanto quase 90% foi para grandes contratantes e ONGs.
- O Estado pretende assinar novos acordos com os maiores beneficiários até o fim deste mês e iniciar a implementação em abril de 2026, o que exige reconstrução de capacidades e pessoal.
- Riscos apontados por especialistas incluem fragilidades da nova abordagem sem sistemas adequados, já que oations de política externa assumem transversalmente a gestão de bilhões em financiamentos globais.
A Administração Trump está alterando de maneira significativa a forma de distribuir ajuda externa, passando de apoio a ONGs para financiamento direto a governos de países pobres. A mudança, anunciada no âmbito de uma estratégia de saúde global, visa reduzir dependência de doações externas e ampliar a capacidade institucional local.
A estratégia, chamada de America First Global Health Strategy, foi divulgada pelo Departamento de Estado. O documento sustenta que financiar ONGs no exterior é ineficiente e pode criar dependência, defendendo recursos diretos aos governos nacionais, muitos dos quais já enfrentam acusações de corrupção e ineficácia.
Em dezembro, o secretário de Estado, Marco Rubio, assinou o primeiro acordo sob a nova estratégia, com o Quênia, para combater doenças infecciosas. O acordo prevê cerca de US$ 1,6 bilhão em ajuda direta ao governo queniano ao longo de cinco anos.
Contexto e panorama
Especialistas em ajuda humanitária já defendiam mudanças nesse modelo há anos. O formato anterior, que canalizava recursos por meio de ONGs e empresas privadas, ajudou milhões, mas muitas vezes não fortalecia sistemas de saúde nacionais nem incentivava a autonomia.
Em 2024, apenas uma parcela do orçamento multibilionário da USAID chegou diretamente aos governos estrangeiros; quase 90% foi para grandes contratadas e ONGs. A transição envolve riscos e exigirá capacidade de gestão que, segundo críticos, pode estar aquém da necessária.
Riscos e desafios operacionais
O Departamento de Estado encerrou operações da USAID e assumiu funções com atraso, gerando queda de serviços de saúde e aumento de morbidade em vários locais. A nomeação de cerca de 800 ex-funcionários da casa como temporários não substitui completamente a estrutura anterior.
As autoridades avaliam que a reorientação completa exige mudanças institucionais, contratação de equipes e sistemas de fiscalização para administrar bilhões de dólares em contratos e convênios ao redor do mundo. A meta é assinar acordos com os maiores países-alvo até o fim deste mês, com implementação prevista para abril de 2026.
Desdobramentos e perspectivas
A proposta de maior financiamento direto aos governos representa uma reforma de amplo alcance, que pode estender-se a áreas além da saúde pública. Reparos são necessários para evitar repetição de falhas anteriores e assegurar a construção de capacidade governamental sustentável.
O texto aponta que a nova estratégia oferece oportunidade de financiar ações de vida e, ao mesmo tempo, fortalecer a capacidade institucional que reduz a dependência de ajuda externa no longo prazo.
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