- O Banco Central, com Gabriel Galípolo à frente, manteve atuação técnica e elevou a Selic a 15% ao ano, mantendo o foco na desinflação sem influências políticas aparentes.
- O PT e aliados criticaram a política de juros, com Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias apontando insatisfação com a condução da instituição e a manutenção da taxa.
- O Copom ressaltou que riscos fiscais estruturais, aumento de crédito direcionado e incertezas sobre a dívida podem elevar a taxa neutra e impactar a política monetária, destacando necessidade de harmonia fiscal.
- A inflação de serviços segue pressionada (5,9% em doze meses), enquanto o desemprego caiu a 5,4% em outubro e a criação de vagas desacelerou.
- A dívida bruta chegou a 78,4% do PIB em outubro; prevê-se alta até 2026 (IFI aponta 82,7%), com crédito direcionado representando 42,7% do estoque de crédito e elevando a dificuldade de controlar a inflação.
As expectativas do governo Lula com Gabriel Galípolo à frente do Banco Central não se concretizaram após quase um ano de gestão. O BC mantém atuação técnica, apesar da autonomia, e não tem alinhamento explícito com o governo petista.
Lula chegou a chamar Galípolo de menino de ouro antes da acting, mas aliados relatam frustração com a condução da política monetária. O tema central é a taxa Selic, que segue elevada e distante da meta, impactando a economia.
Desempenho do BC sob Galípolo
O BC manteve uma linha técnica semelhante à de Campos Neto, segundo analistas. A Selic chegou a 15% ao ano, com ritmo mais contido ao longo do tempo. A ata do Copom enfatiza previsibilidade fiscal e coordenação entre políticas.
Especialistas destacam continuidade na linguagem e no diagnóstico sobre a inflação, inflação de serviços e desancoragem de expectativas. A gestão Galípolo é marcada por cautela diante de incertezas fiscais e externas.
Cenário fiscal e dívida pública
O Copom aponta que reformas estruturais ausentes, aumento de crédito direcionado e incertezas sobre a dívida elevam a taxa neutra de juros. A autonomia do BC é vista como crucial para manter credibility diante desse cenário.
Dados mostram dívida bruta em 78,4% do PIB em outubro, com projeções acima de 82% no fim de 2026. O mercado projeta queda da Selic apenas a partir de 2026, conforme evolução da inflação.
Crédito direcionado e efeito sobre a política
O crédito subsidiado cresce junto com a alta da Selic, o que reduz a eficácia do aperto monetário. O saldo de crédito em outubro era de 6,9 trilhões de reais, com 42,7% destinados pelo governo, o maior nível em cinco anos.
Essa dinâmica impõe um dilema: combater a inflação sem esmagar o consumo sustentado por crédito público. O Copom reconhece essa interação, que limita a atuação dos juros altos.
Inflação, emprego e serviços
A inflação de serviços segue pressionada, em 5,9% em 12 meses, mantendo dificuldade para a desinflação. O desemprego caiu a 5,4% em outubro, mas o dinamismo do mercado sustenta o consumo e a pressão de preços.
Novas leituras indicam queda na criação de empregos entre janeiro e outubro, sugerindo efeito gradual dos juros altos. O IPCA acumula 3,92% até novembro, menor desde 2021, com perspectivas de 4,1% para 2026.
Perspectivas e narrativa política
O governo mantém o debate sobre o fim da política monetária mais restritiva, ao mesmo tempo em que reconhece a necessidade de ajustes fiscais críveis. O Copom sinaliza que juros altos devem permanecer até a inflação convergir para a meta.
Especialistas destacam que a credibilidade do BC foi preservada pela condução técnica, mesmo com questionamentos sobre o alinhamento com o governo. O resultado dependerá da evolução fiscal e da inflação.
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