O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Trump, cortou verbas para projetos que promovem igualdade racial, social e de gênero, afetando organizações como Acnur e Cáritas no Brasil. Esses cortes resultaram em milhares de pessoas sem assistência, com cerca de 2 mil sem apoio e 4 mil refugiados sem assistência básica. A Cáritas suspendeu repasses para projetos importantes em Roraima, mas continua a buscar parcerias e doações para reabrir suas instalações. As ONGs brasileiras estão se reorganizando e tentando fortalecer alianças para garantir apoio, enquanto a filantropia nacional é vista como uma alternativa para reduzir a dependência de recursos internacionais. Apesar das dificuldades, algumas fundações estão aumentando repasses e adaptando suas estratégias para continuar ajudando. O cenário é desafiador, mas há esperança de que novas iniciativas surjam para enfrentar a situação.
O governo americano, sob a liderança de Donald Trump, anunciou cortes de verbas para projetos relacionados à agenda “woke”, que inclui iniciativas de igualdade racial, social e de gênero. Essa decisão impactou diretamente organizações não governamentais (ONGs) brasileiras, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e a Cáritas Brasileira, que enfrentam dificuldades financeiras.
Os cortes, anunciados em janeiro, afetaram a Usaid (Agência dos EUA para Desenvolvimento Internacional), responsável por 42% da ajuda humanitária global monitorada pela ONU em 2024. No Brasil, a redução de recursos resultou em quase 2 mil pessoas sem apoio, limitando suas chances de integração. Além disso, cerca de 4 mil refugiados estão sem assistência básica, e 29 mil pessoas enfrentarão dificuldades para solicitar asilo e obter documentos legais.
Resiliência das ONGs
Apesar do cenário desafiador, as ONGs brasileiras demonstram resiliência. A Cáritas suspendeu repasses para o Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM), mas sua coordenadora, Indi Gouveia, afirmou que a organização continua a dialogar com parceiros e a buscar doações para reabrir instalações e oferecer refeições.
Franklin Félix, coordenador da Abong (Associação Brasileira de ONGs), destacou a importância de fortalecer alianças nacionais e articular-se com o Congresso Nacional para garantir apoio às Organizações da Sociedade Civil (OSC). A ausência de financiamento internacional exige uma reorganização, e muitas ONGs têm dificuldade em obter recursos nacionais ou privados.
Mudanças na Filantropia
A CEO do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), Paula Fabiani, observou que algumas fundações aumentaram repasses e estão utilizando parte de seus fundos patrimoniais para compensar os cortes. Ela acredita que a situação pode ser um gatilho para que a comunidade filantrópica se posicione de forma mais efetiva no Brasil.
Durante o 13º Congresso do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), realizado em maio, foi enfatizada a necessidade de um volume maior de recursos financeiros para a filantropia brasileira. O secretário-geral Cassio França afirmou que o Investimento Social Privado (ISP) já colabora para a redução das desigualdades no país e tem potencial para crescer. As incertezas sobre a cooperação internacional permanecem, mas uma filantropia mais forte pode reduzir a dependência de recursos externos.
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